Saturday, March 17, 2007

Até já!

Necessidade de fugir dos sentidos e das palavras.
Não quero olhar para dentro. Sinto que não posso, ou vou travar o meu percurso.
Preciso dar tudo de mim para outras coisas, para a vida cá fora e para a minha construção. Sei que no momento em que parar o silêncio e o vazio inundam tudo!
Não o permito.
Fiz outra escolha!
Escolho ser alegria, vida e leveza. Tudo o que não fizer parte disso não entra no meu mundo!
Não há espaço para o vazio, nem para o silêncio, e muito menos para sentir falta de quem não a sente!
Absorvo a vida como se devorasse a maça entregue por Eva e agarro tudo o que ela me está a trazer.
Este é o momento, sinto-o. O amanhã se verá!
Não fujo deste meu espaço, nem o abandono. Apenas preciso de tempo, de viver longe uns momentos e não olhar para o fundo… até que o mar se apazigúe , até que o sol nasça.
Um até já!

Saturday, February 03, 2007

As Cores de cada um

Quais são as cores com que estamos revestidos? Será que mudam com a nossa disposição ou são cores que trazemos de nascença e nos acompanham pela vida?
Todos temos uma cor, e identificamo-nos facilmente com quem transporta uma tonalidade semelhante á nossa… ou complementar.
Já passei várias fases, suponho. Lembro-me da fase laranja e da fase vermelha, e também da verde limão.
Agora, neste momento, não sei bem.
Acho que estou numa fase branca, pelo menos tenho sentido necessidade de me vestir toda de branco, como se assim me purificasse ou me tornasse mais leve e transparente. Até porque o branco é a junção de todas as cores do espectro, assim como o preto é a ausência total delas.
Talvez esteja simplesmente a precisar de um banho de cor!
Passeio-me pelas ruas e olho. Observo com atenção.
Todos me transmitem uma sensação que é facilmente identificada com uma cor. Basta estar atenta.
Aquela rapariga que passa apressada é verde. Mas não um verde muito saudável, ou um verde coração. Assim … um verde seco, estagnado, putrefacto.
Aquela outra senhora gordinha e engraçada que vem em conversa animada com a amiga é um laranja, mas um laranja pouco luminoso, um laranja que precisa de ser trabalhado, revolvido.
Rio-me para mim mesma. Se fosse minha paciente recomendava-lhe um remédio chamado sexo!
E a amiga? Pensativa e aparentemente muita atenta á conversa denota um tom amarelo que me diz que está a pensar em tudo menos na conversa. Mas lá que pensa, pensa!!!!
Continuo a olhar em redor.
Lá vai um senhor cinzento, e mais há frente uma rapariga verde… hummm, normal.
Ali uma família que passa com tons amarelos e vermelhos tão bonitos que me chamam a atenção e me fazem sorrir.
E de repente os meus olhos prendem-se num rapazinho dos seus 10, 11 anos de idade. De óculos redondinhos e um grosso livro na mão, surge-me com um azul tão límpido e luminoso como poucos.
Observo-o. A sentir a minha presença, retribui-me um olhar tímido. E nele encontro uma tranquilidade e uma luz purificadora, aliada a uma leveza que é já tão pesada para a sua tenra idade! Facilmente subentendo!
Sorrio-lhe, e sinto que compreende pelo meu olhar o que em escassos segundos me passou pela mente.
Num olhar cúmplice e algo reconfortado sorri-me, e começa a correr em brincadeira com o irmão mais novo.
Não é fácil ser diferente!
E nesta panóplia de cores e pensamentos retomo o meu caminho de regresso, sentindo-me completa e preenchida … com todas as cores do universo!

Tuesday, January 23, 2007

Sem outra pele para cá da minha pele


Quero-me!
Em liberdade de me exibir, de me tocar, de ser quem sou sem qualquer pudor ou humildade.
Quero-me!
A amar o meu corpo. A ser completa, assim, solta e descoberta.
Quero-me!
A seduzir-me sempre que assim me apetecer.

Sunday, January 21, 2007

Transparência


Fotografia: Luis Mateus


Hoje encontrei na rua alguém que me é querido. De vez em quando o Universo premeia-me com estes encontros.
Olhou para mim e perguntou-me o que se passava porque me achava abatida.
Olhei-o espantada! Em poucos segundo percebeu mais do que eu nestas ultimas semanas.
Não valia a pena mentir… não a ele. Mas também não sabia o que dizer. Por isso nada disse. Limitei-me a olha-lo no fundo dos olhos e pensei que já que ele soube olhar e ver-me para além do superficial, saberia olhar-me mais fundo e perceber as razões que as palavras não explicam.
Obrigado pelo abraço! Posso até não entender os porquês… mas estava a precisar dele!

And a river flows in me...

Fotografia: Lany Costa

Não é só por te ter dito adeus dentro de mim!
É mais fundo que isso!
É mais vazio …
É mais incompreendido…
É mais rio…


Saturday, January 20, 2007

Vibrações





Sonhos que voam e ganham asas...










... pensamentos que se agarram á terra

Tonalidades

Porque nada é completamente branco ou completamente negro...guardo tempestades no olhar, e com elas os sorrisos!

Sunday, January 07, 2007

A Liberdade de escolher... amar-te II

Parece que a estupidez afinal tem limites e quando passa da quantidade qb que é aconselhável não dá para continuar cega que nem uma porta!!
É a vida!
Não me desiludo por descobrir que não me amas, não é propriamente como uma novidade! Sempre soube que me iludia um pouco...ou talvez mais!!
E não há como continuar a querer acreditar... era preciso que não só o amor fosse estúpido, mas eu também!!
Acredito que “Mereço mais !”

“A minha nudez foi concebida para ser amada e não apenas para ser simpática, adorada ou querida.”*

Esse é o meu grito de guerreira!! “-A minha nudez mereçe ser amada!"
Agora... nem vazio, nem lágrimas, nem saudade e muito menos eterna... apenas um continuar, para onde segue o caminho!!
E aqui caem as máscaras, e liberto os sonhos e planos que um dia fiz para nós.
E assim se vira uma página do livro e continua-se, até onde, só o Universo saberá.


Post Scriptum )- * Frase retirada de: Almas Recicladas

Wednesday, January 03, 2007

Mais uma vez...


Mais uma vez atravessas-me exactamente como o fizeste há 29 anos atrás e como o fazes todos os anos, desde ai.
Estava uma noite de tempestade, quando trouxe comigo um raio dos céus que apagou a luz de toda a cidade.
-Vi logo que vinha ai uma bela "peça"- costumava-me dizer a minha mãe, quando me contava esta história.
Pois veio! Saí uma bela peça, e abençoada á nascença pelos Deuses, que me iluminaram o caminho para que eu não me perdesse na grande "viagem".
Hoje não está tempestade... esteve um pôr do sol dos mais lindos e serenos, e uma lua (cheia) que me abençoou cedo com os seus dedos, com os teus dedos mãe, como nunca deixaste de o fazer!!

Saturday, December 30, 2006

O Fim...

Cresceu, criou frutos e agora olho apenas para cima! Abraço os céus, os presentes da vida e o vento que me afaga.

Agora olho-me ( assim) imponente, frutificada... e vejo-me maior, mais em mim... Passei a olhar apenas para cima, e vi que a minha árvore tem muitos frutos novos! Que bom!
Este é um ciclo que termina, o fim de mais um ano, o fim dos meus 28 anos… o início de novas coisas… porque um fim traz sempre consigo um início!!
Que este novo ciclo seja repleto de força é o meu desejo especial… e de novos frutos. Para mim…. Para todos vós!!

Wednesday, December 27, 2006

A Liberdade de escolher... amar-te !

Já sabia que o Amor roçava a ingenuidade, e até a estupidez.
O amor consegue ser estúpido, mas só porque quer. Porque precisa de ver e ouvir apenas o que afirma a sua própria existência. E tudo tem de ser como uma afirmação, com badalos, sinos, luzinhas e tudo...
O meu amor por ti roça a estupidez, sim! Porque assim o quero, porque assim escolhi sem ter escolha (ela já vem incluída no pacote ;p )
Vejo apenas o que quero ver, interpreto os sinais á minha maneira (não sempre a mais obvia, devo dizer), e continuo a procurar-te... enquanto assim me fizer sentido.
Escolhi regar a nossa história de esperança e possibilidades, e ao fazê-lo descobri-te ao meu lado, á tua maneira.
Escolhi ser feliz, e brindar-nos com um amor feliz. Por isso, se sou estúpida, não me importo.
Sou estúpida, mas com um sorriso nos lábios e os teus beijos espalhados pelo meu corpo.
Fossem todos estúpidos assim... seria o mundo certamente um pouco melhor!!

Saturday, December 16, 2006

A ponte

Gosto de vir aqui! Aqui o ar tem outro cheiro, o céu tem outras cores e até os sons são diferentes. Aqui entro noutro mundo que parece distante da vida.
Posso sentar-me, meditar e ver-me com os olhos da alma.
É um dos locais mágicos na cidade. Dentro dela posso sentir-me distante de tudo e de todos... o que por vezes é não só agradável como fundamental.
Sou uma solitária em muitas situações.
Aprecio muito o meu espaço, a minha independência e o meu silêncio... o estar comigo mesmo.
E aqui converso comigo e vejo-me reflectida no espelho da água, nos vermelhos do entardecer nas nuvens, no repousante balouçar das ondas. Aqui Respiro e vou sempre embora com uma serenidade que abraça a iluminação!!

(Re)Nascer


Nasço aqui, de novo e pela primeira vez!
Do útero da terra, olho-te como se nunca tivesse deixado de te ver… E não deixei.
Há quantas eternidades nos olhamos, mãe?
És o primeiro olhar que lanço ao mundo, quem primeiro reconheço desde o princípio dos tempos, em mil rostos, mil cheiros e mil sentires, e sempre tu!
Instinto que nos faz saber de onde vimos.
Sou tua filha, tua Sacerdotisa, tuas mãos na terra, tua boca nas minhas palavras.
Sigo os teus desígnios!
Através de mim chegas ao mundo…. Através de ti toco o divino.
Sou assim, e mesmo assim não deixo de “te” ser.
Eu…E tu em mim!
A tua força, na minha subtileza.
A tua sabedoria no meu encanto, que é tão teu.

Abro os braços e chamo-te, apesar de te saber aqui.
Preciso de te sentir! Os teus olhos sobre os meus, o teu colo, o teu abraço, que me embala e me diz que está tudo bem…que sempre esteve. Que tudo faz parte do caminho!
Quero voltar ao teu útero, grande mãe! Alimentar-me das águas do teu peito.
Mergulhar nas chamas do teu mar e beber do fogo divino e inspirador, restabelecer-me de energias.
Nasço aqui, hoje, de novo e pela primeira vez. Nos teus olhos, nos teus braços.
Nasço de braços abertos ao vento, tal pássaro que voa livre sobre os céus… no teu céu, no meu céu!
Sempre Eu… e tu em mim!

Vazios

Período de vazio na alma e no pensamento.
Momentos em que não penso, porque simplesmente não me apetece pensar... não escrevo, porque as palavras que saem são já tão batidas que me cansam, e soam sempre a piano desafinado de tocar tantas vezes nas mesma teclas.
Sinto a tua falta... ainda, tenho que admiti-lo. Mas não quero mais pensar nisso.
Quero virar a página, quero afinar o piano e voltar a tocar doces melodias, diferentes das anteriores que soavam soturnas. Escrever sonetos á primavera, á paixão arrebatadora e sentida, á inspiração, á magia única do amor, de novos cheiros, de outros braços que me embalem que não os teus.
Não tenho mais a dizer... não por agora.
Abro a janela lentamente, e inspiro o ar gelado que ficou na minha vida. Faço bolinhas de fumo, e acabo por brincar com elas!
Sorrio-te em desafio, e deixo-te a janela aberta para poderes entrar .
Quando chegares, não precisas bater.

Thursday, November 30, 2006

A menina dança?

Terei opção?
Se tudo me surge sempre numa teia já tecida, onde apenas me sinto um peão num tabuleiro de xadrez.
Terei outra escolha senão dançar a tua dança?
Deixo-me levar… mas não o faço por vontade, e pergunto-te porquê?
O que me estás a querer ensinar com esta valsa? Não vês que não estou a saber ouvir-te, e insisto sempre em dançar o tango?
Toco a mesma música, sempre no meu tom, uma e outra, e outra vez, mas já entendi que não queres continuar a ouvi-la. E posso até te dar razão, mas não consigo deixar de o fazer, ainda… e até quando?
Desculpa, se não sei dançar a dança que me pedes, vida. E continuo a perguntar onde me levarás?

Sunday, November 26, 2006

"Para quê pensar?"

Para quê pensar... já não penso... simplesmente sou e simplesmente quero ser...simplesmente voo nas minhas asas livres, que não mais julgam e não mais deixam ser julgadas... que não mais pensam!!
Para quê pensar? …Se este apenas me faz atravessar os meus próprios abismos e colocar máscaras que não quero ter.
Para quê pensar? …Se o que quero é quebrar as barreiras que se impuseram, e Ser simplesmente… Ser!
Para quê pensar? Não quero, prometo-te … se prometeres que me olhas e me vês nua… se te deres ao trabalho de olhar, de vez em quando, e quiseres ver.
Então para quê pensar?... Não penso mais!

Saturday, November 25, 2006

A visita



Vieste!
Chegaste com o teu ar descontraído como se tivesses saído ontem daqui.
Vieste para beber chá. E sentada observando o teu sorriso pergunto-me porque não vieste mais cedo?
Conversámos. Sobre ti, sobre mim, sobre a vida... nunca sobre nós. Dentro de mim questiono-me mil vezes se devia tocar esse assunto ou simplesmente estar, e deixar a conversa fluir!
Ofereceste-me o chá... um presente disseste, e foste embora dizendo que voltavas. Foi um até logo.
Agora já sozinha, olho... olho-me, e questiono... e ao mesmo tempo não questiono mais nada! Aceito simplesmente que é assim!

Friday, November 24, 2006

"O Diabo mora nos detalhes"

Engraçado como a vida é feita dos pormenores!
O chocolate quente que bebia naquele café com 15 anos, o som da minha avó a descascar batatas na minha infância, enquanto a ajudava a fazer o meu prato preferido. O cheiro único da sua casa! Os torresmos que eu fingia gostar para ir dar ao gato!
As bombocas com que nos deliciávamos, acompanhadas de um café, eu e tu amiga…lembras-te? E as horas que passávamos ao telefone a estudar História!
A vida é feita de memórias, e as memórias, essas são feitas de pormenores que fazem toda a diferença.
E o mais interessante é que enquanto os vivemos não pensamos nisso, mas são eles que ficam eternizados em nós.
Assim o é também no amor.
O que fica é o cheiro do teu champô, quando acabado de tomar banho me vinhas dar um beijo. Aquele olhar específico que nem sabes que fazias, mas que eu reconhecia sempre. O som do vento nas árvores da varanda da casa onde vivias, e as palavras que ai me disseste uma noite. O sabor da tua pasta de dentes, e até aquela blusa laranja que vestias em combinação com a bordou com que eu gostava de te ver.
Já o dizia a sabedoria do povo: “O diabo mora nos detalhes!”

Monday, November 20, 2006

Música francesa em retrospectiva


Ontem assisti a um concerto com cheiro a passado!
Embalou-me em seus braços feitos de notas delicadas e fez-me voar por mundos antigos, onde já não viajava há muito.
A tua presença, rosto de uma época repleta de vida, as musicas que interpretaste, o teu jeito ainda semelhante a outros tempos, apesar de vibrar em ti algo diferente, fez-me pensar. Na vida, no que construímos, no que lutamos por ser e onde chegamos.
Alguém dizia outro dia que os vinte anos são a fase em que descobrimos quem somos e os trinta a fase em que lutamos para construir aquilo que descobrimos ser.
Fez-me sentido!
E aqui, sentada nesta cadeira numa viajem pelo passado e pelo futuro olho para ti, aí no palco e penso.
Há quem saiba desde pequeno aquilo que é e que quer ser, como tu! Mesmo assim lutar por isso não se faz do dia para a noite e tudo leva muito tempo a construir… Os sonhos dão trabalho!!
Outros passam anos á procura, como eu, mudam constantemente, a cada sopro do vento, mas não desistem de correr atrás de respostas, podendo passar toda uma existência a procurá-las, ou ter a sorte de as encontrar num virar de uma qualquer esquina da vida.
Há ainda quem se acomode e simplesmente vá e venha com a maré, sem se preocupar se isso lhe ressoa ou não na alma.
Olho á volta. Todas estas pessoas fazem-me pensar, e contudo é em mim que penso!
Nos meus sonhos, nas minhas lutas. Por qualquer razão ver-te, faz-me acreditar e sentir-me forte.
Volto a olhar-te. Frágil ainda nos gestos, mas com maturidade na voz, sei, que vou ver-te daqui a anos, neste ou noutro palco, com a força e a segurança de quem não só sabe o que quer, mas de quem já o conquistou. A tal segurança que dizem que a idade traz.
Que a força dos teus sonhos te abrace e te abra todas as portas, é o meu desejo. A ti, que tens a coragem de os conquistares a cada dia. A todos, que como tu, continuam a lutar pelos seus ideais.

E no meio destes pensamentos mergulho ainda num impulso incontido que me remete a cheiros e cores perdidas de outras épocas. Épocas de sonhos, sorrisos … e margaridas.

"Ne me quitte pas

Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit déjà
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le cœur du bonheur
Ne me quitte pas...
Ne me quitte pas...
Ne me quitte pas..."
(...)

Jacques Brel